Ter um provedor de internet é constantemente tomar decisões e correr riscos. Reduzir os riscos nas suas escolhas mais impactantes é o que levará seu ISP para os trilhos do sucesso. E a migração de redes é um assunto decisivo. Com este artigo, você saberá tudo sobre migrar da internet via rádio e da rede utp para fibra óptica.

No entanto há um desafio — que na verdade se subdivide em 3 — que pode frequentemente atormentar seu provedor:

 

 

  • Saber em que hora investir em uma migração de rede e porquê investir

  • Para qual região se lançar focando em estratégia de concorrência e posição de mercado

  • Como fazer a migração das redes 
 


Seu provedor vai decolar!

 

 

Migração de redes é estratégia (em grego, strateegia; em latim, strategi; em francês…)

A palavra “estratégia”, juntamente com o conceito que ela carrega, serve para quase tudo em nossas vidas. E existe em muitos idiomas, como bem frisa a cena de Tropa de Elite.

Aqui nos referimos a um conceito de estratégia que quer dizer algo específico: A estratégia dita aqui tem a ver com uma visão correta de mercado, e não sobre a técnica que envolve a transição de redes e caixas, etc.

 

Ao final deste artigo você saberá como elaborar a melhor estratégia para migrar de rede, de uma internet via rádio ou de cabo UTP para fibra óptica, sabendo como funciona a migração de cada uma, analisando os impasses do mercado e definitivamente como fazer isso de forma impecável para reduzir chances de risco.

Pensando pelo lado técnico, não há tanto mistério.

Identificar as redes, analisar o projeto de trás para frente, analisar onde estão as caixas e construir as redes para migrar ao FTTH; nada disso é tão importante ou muito complexo.

Os pontos cruciais são os estratégicos:será que é necessário migrar para uma rede 100% FTTH, ou pode-se fazer uma espécie de rede híbrida entre internet via rádio e FTTH? Onde construir sua primeira rede? Onde já há clientes seus, ou numa região nova?

Suscitar essas questões irá te ajudar a entender que tudo isso depende de uma boa estratégia.

No entanto, a migração para FTTH não é algo racional a ponto de você sistematizar facilmente; ou algo que você, ao elaborar planilhas, determine o que é pior, ou o que é melhor.

Ao contrário das caixas, as quais você pode saber qual é a melhor opção, se uma 1×4, 1×8, 1×16 etc.

Assim sendo, migrar para FTTH representa — antes de tudo — deixar de seguir fórmulas racionais e se guiar de modo a apostar em visão de mercado e intuir sobre o mesmo.

Analisar o contexto é essencial como largada a fim de trocar sua rede para FTTH e, a partir disso, ter segurança de que você obterá resultados excelentes e devolverá uma experiência de internet única ao seu cliente.

Saiba sobre os detalhes, vantagens, desvantagens e qual o momento propício da migração de internet via rádio e UTP para FTTH.

Neste artigo falarei sobre consolidação de mercado e, depois, propriamente da migração de rádio e UTP para fibra, e por fim,  unirei os dois temas.

 

Migrar para região sem concorrência ou com clientes insatisfeitos?

Atualmente, no Brasil, há muitos provedores que disponibilizam serviços de internet.

Hoje, os usuários de internet no Brasil não têm mais problemas de conexão, com exceção de habitantes de algumas regiões rurais, de fazendas (como por exemplo em alguns casos no interior do Pará).

Mas o fato é que temos uma densidade muito maior de provedores em comparação ao que tínhamos há 10 anos.

O mapa a seguir elucida a situação:

O mapa acima é um retrato de todos os provedores do Brasil registrados na Anatel. Você pode notar que há regiões em que existe uma maior concentração de provedores que outras.

Você pode perceber que em regiões como Curitiba e Recife a densidade de provedores é muito alta.

 

 

 

 

 

Já esta outra imagem demonstra o boom de provedores que foram homologados na Anatel em 2009.

 Após isso é possível notar uma queda na quantidade de provedores em 2013 seguido de um acréscimo que só ao final, nos últimos anos,  volta a decair. 

As pessoas continuaram a adquirir internet. O que acontece é que muitos provedores pararam de se registrar na Anatel, mas a quantidade de provedores não diminuiu em números reais.

Por que as pessoas não pararam de adquirir internet? (Esta é uma pergunta-chave). Pelos dados que o gráfico mostra, é notável que os provedores querem continuar expandindo.

Porém, não há espaço para todos crescerem e como existem muitos provedores no Brasil, alguém terá que diminuir. 

A partir disso você começa a criar noções estratégicas.

Se os provedores estão expandindo para regiões cada vez mais amplas, a sequência de questões para traçar a sua estratégia e que vai definir o sucesso é: Onde construir uma rede nova? Onde há muita concorrência? Onde não há concorrência? Ou nos lugares em que os clientes não estão satisfeitos com os serviços de internet?

O ideal é sempre buscar construir redes onde você saiba que os clientes não estão satisfeitos com o serviço local. Este lugar é uma mina de ouro, um valioso mercado para se trabalhar.

 

Sensação de navegação vs. tecnologia

Vocês podem estar se perguntando “mas que raios isso tem a ver com migração de internet via rádio e UTP para fibra?”

Bem, primeiro temos que ter em mente que o cliente é sempre o ponto final, o objetivo último.

Então é primordial que você saiba quantos usuários (que são seus clientes), estão satisfeitos com  o serviço que você está prestando a eles, e o quão eles estão satisfeitos, em grau.

Você deve saber, aproximadamente, o nível de satisfação do usuário em relação à infraestrutura que seu provedor oferta.

Por exemplo, dentre 1.000 clientes, quantos clientes reclamam, quantos elogiam o seu serviço, quantos são fidelizados? 10, 15?

Entre aqueles que reclamam, será que os vídeos que eles baixam carregam ao assistir? Que a página que eles acessam estão travando? Que a internet deles está lenta?

Sempre tentamos melhorar a qualidade da internet, porém, no final das contas, não importa tanto a tecnologia que você usa, se internet via rádio, UTP ou fibra óptica, se é com Cisco, Juniper ou Mikrotik.

O que importa é a sensação do usuário ao navegar na internet. 

Mesmo que você tenha uma rede 100% Furukawa e com Cisco; ou seja, as melhores tecnologias do mundo, mas lá na ponta do usuário tiver um roteador multilaser numa casa de 200 metros quadrados em que a internet não funciona bem no quintal, a experiência de navegação desse usuário será ruim.

Pode acabar sendo a mesma experiência do que o 3G

Simultâneo a isso, pode haver uma empresa que trabalhe com internet via rádio e ofereça 25 MB de plano, mas que monitore o cliente para saber a qualidade de conexão, e instale um bom roteador dentro da casa do cliente se a qualidade não estiver tão boa.

Possivelmente, a empresa que vende essa internet faz com que o seu cliente tenha uma experiência melhor que com a fibra. Isso tem que estar claro.

O usuário procura a fibra óptica só quando alguém diz a ele que a fibra resolverá seu problema.

Se caso não resolva seu problema, o usuário já tira isso da cabeça.

Há inúmeros cases no Brasil de provedores que retiram clientes de outros provedores de fibra óptica apenas porque estes últimos não conseguiram entregar uma boa experiência ao cliente.

Ao fim e ao cabo, o que o usuário quer — no inconsciente dele —  não é a fibra óptica em si, mas sim uma internet que efetivamente funcione.

 

Às vias de fato: características da fibra óptica e em quais casos migrar

Se o que buscamos é entregar realmente a melhor qualidade de internet ao usuário, não há tecnologia melhor para isso do que FTTH.

A maior vantagem da fibra não é a velocidade que entrega…

a maior vantagem da fibra é não precisar reconstruir a rede nos próximos 20 anos. Obviamente velocidade também é importante…

mas, por exemplo: o usuário que tem uma internet que chega ao dispositivo dele a 30Mb ou 50Mb, se você entregar 100 Mb, a diferença não será perceptível para ele. Mesmo entregando os 100Mb de fato.

Quando se fala em migração de tecnologia para FTTH é sempre bom ter em mente que deve-se entregar a maior qualidade de conexão, que supere o nível de tecnologia que se tem no momento a disposição.

Se o cliente fala para você que tem uma internet via rádio de 2.4 Ghz ou 5.8 Ghz, aí não há muito o que fazer a não ser trocar tudo para fibra óptica.

Ou se o cliente te explica que o P2P (Ponto a Ponto) de comunicação da internet via rádio dele não está tão boa…

neste caso também você pode oferecer para levar todos os P2P dele pela fibra óptica, também trocando a tecnologia para elevar a qualidade ao usuário.

O mesmo vale para rede UTP. Você não precisa trocar toda a rede UTP por FTTH.

Basta pegar aquele tronco de rede UTP e em cima dele fazer uma rede de fibra óptica, um ramal, e depois fazer a migração para FTTH.

 

Mantra: melhorar a experiência do usuário na ponta

Muitos ISPs pensam que ofertar uma banda alta ao cliente é sinônimo de aumentar a qualidade da experiência do cliente.

Essa afirmativa é falaciosa porque uma banda alta não significa o aumento de consumo de banda por parte do cliente.

Há “n” provedores no Brasil testemunhando que quando liberaram aos clientes deles uma banda mais alta, os clientes não utilizaram e nem usufruíram desse aumento.

Ou melhor, conseguem usufruir com bandas de intensidade mais baixa ou com a mesma intensidade.

Um exemplo claro disso é o Burst do Mikrotik, que por sua vez não foi desenvolvido para economizar banda, e sim para dar sensação de velocidade e de navegação para o cliente.

Hoje uma rede via rádio tradicional não pode entregar 50 Mb, no entanto pode dar a sensação de 50 Mb

Um tipo de ideia interessante para seu ISP é ligar todos os POP (Ponto Operacional de Presença) na fibra óptica.

Depois disso ir no Mikrotik e criar  um plano de 10Mb, com burst de 40 Mb ou 50 Mb e chamar, por exemplo, de Plano Max 5x.

Isso despertará, naturalmente, uma curiosidade no seu cliente que você pode fomentá-la, dizendo que se trata de um plano que permite uma experiência de navegação 5 vezes maior do que ele tem atualmente.

Posteriormente, partindo para as negociações, você pode cobrar 20 reais a mais do cliente, garantindo o Plano Max 5x, fazendo ele ter a experiência de teste com a internet por 1 semana grátis,  e colocando nas negociações um roteador de alta qualidade incluso, de preferência.

Tudo isso tornará o cliente munido de experiências.

É necessário sempre estar atento e saber se o seu cliente está feliz com a internet que você oferece.

Caso o cliente esteja, construir uma rede de fibra óptica nova em uma região que você ainda não atende, será a melhor estratégia, pois o custo para migrar um cliente para a fibra óptica é praticamente o mesmo do que o custo para atrair clientes de regiões novas.

Precisamente, o que você gastar com equipamentos de todos os tipos, como ONU nova, cabo UTP novo, caixa NAP nova, roteador novo e outros; será praticamente o mesmo custo para fidelizar o cliente, com todo o up oferecido.

Você deve sempre considerar a possibilidade de que, quando recém montado o seu provedor na região, vá aparecer um concorrente do dia para a noite que queira atrair o seu cliente oferecendo um pacote de internet x, y, ou z por mais barato.

E se seu cliente estiver insatisfeito com a sua internet, as chances de ele mudar de ISP e de serviço são altíssimas. 

Por isso você deve ter meios de sempre verificar e monitorar o nível de satisfação do seu cliente.

E trabalhar com os clientes que você já tem.

Evidente que se a rede for muito antiga e precária, eu aconselho recomeçar do zero e reconstruí-la, mas, se não for tão antiga, a dica é fazer uma migração lenta de uma rede para outra, iniciar uma transição não tão brusca para fibra óptica.

Se for UTP, retiramos o tronco dessa rede e colocamos fibra óptica no lugar. caso seja rádio, substituímos os Ponto-a-Ponto (P2P) do rádio para por de fibra. Isso dará um up na rede.

Podemos além da migração, oferecer sensações de variados tipos. Planos para o cliente experimentar e se prender à ideia.

Por exemplo, elaborar e propor um burst com um plano de “madrugadão”; no qual, suponhamos, liberamos das 23h às 7h o máximo de banda possível com a finalidade de fazer com que o cliente tenha uma experiência de pico.

Podemos fazer algo similar e nos mesmos moldes propondo um plano comercial, ou o dobro de internet para quem trabalha e estuda em casa etc.

 

Monitorar o cliente e instrumentos para medir a satisfação

Dialogar constantemente com o cliente e estar ciente do nível de satisfação dele é crucial.

Outro elemento principal sempre é oferecer uma internet com qualidade maior que a do concorrente, e de preferência muito maior.

Ainda mais quando este concorrente oferta planos muito baratos.

Para monitorar o usuário, em vez de usar uma ferramenta simples como o The Dude, podemos utilizar o Zabbix ou uma ferramenta mais avançada.

Por meio desse artifício você saberá se o usuário está bem conectado.

Alguns provedores acham que firmar contrato de 1 ano com um cliente, por exemplo, é uma garantia de retenção.

Isso não quer dizer muita coisa ou não significa nada, pois após o vencimento do contrato com o cliente, ele pode simplesmente mudar de provedor.

Os grandes provedores têm visão a longo prazo, não curto prazo. Eis o motivo de priorizar sempre a qualidade.

No que tange às tomadas de decisão, de  saber pra qual região vale a pena migrar e se vale a pena migrar, é importante ter como norte dois pontos fundamentais:

 

 

  •  Ter controle dos clientes na base, saber a densidade de clientes naquela região. Para isso recomendo que você tenha acesso a recursos visuais, espaciais e geográficos que retratarão melhor esse cenário. As ferramentas dos mapas do Google são um bom partido

  •  Realizar pesquisas de satisfação ou enquetes com os seus clientes e clientes de outros provedores. Fazer isso é simples e você pode fazer em apenas um dia. Consiste em se comunicar pelo whatsapp, telefonar, ir à casa dos clientes e usar outros meios de comunicação para através disso concretizar a pesquisa de satisfação

 

Sobre o segundo ponto, é importante enaltecer que a pesquisa pode ser fácil e objetiva.

Por exemplo, perguntar ao cliente se numa escala de 1 a 10, qual a sua satisfação com o seu serviço de internet (se a média for abaixo de 9 você deve se começar a se preocupar com a satisfação deles).

Outras perguntas possíveis são: “Quais as chances de você indicar nossos planos de internet?”, “A Internet trava constantemente?”, “Há quantas TVs em sua casa?”, “Quantos metros quadrados tem a sua casa?”, “O roteador é de alta capacidade?” e por aí vai…

O bom é rotineiramente fazer uma análise da experiência do cliente. E isso é subjetivo.

Existem pessoas que não gostam da experiência que a Apple proporciona. Isso quer dizer que ela é ruim?

Não.

Quer dizer que é uma experiência pessoal, e portanto, um tanto quanto relativa.

Mas, obviamente, se as estatísticas apresentarem uma desaprovação e insatisfação grandes do cliente, isso é um sinal de que objetivamente sua internet pode ser pior que a do concorrente.

 

Detalhes da migração, o “tridente”: rede UTP, internet via rádio e fibra óptica

A migração com uma rede UTP é muito mais fácil do que com uma rede de internet via rádio.

Por uma razão muito simples: A rede de rádio é pulverizada demais.

Os clientes de rádio estão espalhados em muitas regiões às vezes distantes umas das outras, nunca no mesmo local, ao contrário dos clientes das redes de UTP.

Na migração com rádio o ideal é fazer uma “estratégia de blindagem de mercado” e construir uma rede FTTH na cidade.

Para migrar onde há rádio colocando rede FTTH devemos primeiro ligar nossos POPs (Pontos operacionais de Presença) no rádio e depois ligarmos nossos melhores clientes na fibra.

Seguidamente, temos que visar extrair ao máximo a qualidade da nossa internet.

Acrescentar Burst, propor plano “madrugadão”, velocidade em dobro em horário comercial, instalar roteador de alta capacidade.

Testar é sempre um bom princípio a se seguir quando se fala em migração de rede. 

Dependendo do teor de satisfação do seu cliente o ideal é você entregar esses planos bônus gratuitamente, ou também cobrar.

Para isso você terá que ter tato e cada caso será um caso particular.

Posteriormente, nós iremos construir a rede dividindo-a em blocos (bloco 1, bloco 2, bloco 3, bloco 4 etc).

Se for uma rede UTP e a intenção for migrar 100% para uma FTTH, o procedimento pode ser diferente.

Você pode importar todos os clientes dentro do mapa, importar as caixas NAP, importar todas as caixas de atendimento UTP.

Se for migrar para uma rede inteiramente FTTH, você levanta todas as caixas e contabiliza quantas portas tem disponível no provedor.

Distintamente, se o objetivo for migrar uma rede UTP integralmente para uma rede de internet via rádio, cada caixa UTP será uma nova caixa NAP, geralmente com mais portas.

Além disso, nos buracos onde não há clientes, vamos adicionar mais caixas.

As redes UTP, na maior parte das vezes, são sequenciais. São redes cascata.

Por isso que muita gente que trabalha com UTP gosta de redes desbalanceadas.

 

Mas afinal, como transformar essa rede em PACPON?

Primeiro é imprescindível descobrir quantas caixas são e depois pegar a planilha mágica de splitters desbalanceados, e, tomando-a como base, fazer um rede desbalanceada.

E aí, o que fazemos? Colocamos um splitter desbalanceado em uma via do backbone (espinha dorsal da rede).

Aí podemos fazer essa rede usando o seguinte método: 

Podemos projetar a rede para ser 100% PACPON e não estar preparada para FTTH no futuro.

Ou seja, se usarmos uma planilha de splitters desbalanceados (a planilha acima) e se não quisermos transformar essa rede em FTTH no futuro, aí não definimos nenhuma caixa (das que tem na planilha) como caixa NAP.

Em cada caixa PACPON terá um splitter 1×2 ligado no switch pela porta do mesmo switch

Em vez de estar ligado à porta de entrada de um cabo de rede, iremos ligar uma perna de uma ONU que pegarmos e ligá-la no switch.

Cada switch terá uma porta, uma ONU conectada. Com isso, se instaura

Logo, se anteriormente um raio caísse e ocorresse um curto-circuito e queimasse tudo, agora, com essa disposição, isso não acontecerá.

Todavia, poderá haver um problema com duas providências que você deve tomar:

 

  • Com a rede UTP você terá que inverter a jogada: Fazer o cliente alimentar essa rede.

  • OU usar a fonte de alimentação apenas para alimentar a rede, sem transportar dados, só levando energia elétrica.

 

Aí a qualidade da internet não ficará mais na mão do backbone e da UTP de vocês. Ficará na mão da fibra óptica

 

 

Redes híbridas ou 100% FTTH, qual a melhor opção?

A grande vantagem é entregar uma internet melhor ao cliente, mas claro que nesse caso ainda tem o risco, de por exemplo, queimar um ramal inteiro, porque a rede UTP ainda possibilita tal coisa.

Qual a diferença entre deixar uma rede híbrida ou não?

Com a rede híbrida conseguimos ligar 34 caixas UTP — uma atrás da outra — em uma porta da OLT. Então, você pode comprar uma OLT da ISP Shop, uma OLT EPON de uma porta, e conectar a uma rede desbalanceada, arrancar todo o backbone do UTP e pôr uma rede de fibra óptica. O único problema é que, como a maior vantagem de uma rede FTTH é o fato de ela ser duradoura, nesse caso particular, pode ser que dentro de dois anos você terá que reconstruí-la, por ter o caráter híbrido.

Na verdade, o ideal é fazer a rede, colocar uma caixa de atendimento, fazer toda a migração e escolher, por exemplo, uma caixa de atendimento 1×8, com margem de segurança de 3 dB,  laser C+, e pôr lá onze caixinhas enfileiradas. Ligar uma ONU no switch sem precisar habilitar clientes. Terá uma ONU no poste dentro da sua caixa UTP. Estas são as principais maneiras de fazer a migração da rede UTP para a internet via rádio.

 

 

Encher uma rede e ir para um nova região, a tática absoluta

A partir do momento que você tem uma rede cheia e uma taxa de sucesso alta na região com os clientes novos, e enche a rede em um intervalo de tempo de 10 meses, suponhamos, você tem liberdade para escolher o preço do ticket, pois tudo que é mais escasso se pode cobrar mais caro, também porque significa que você tem certo poder naquela região. 

Então, quando pessoas saírem e outras quiserem entrar, você pode cobrar mais caro.

 

 

Se a rede encheu, nem adianta pôr mais uma ou outra caixa para um cliente novo que chega.

Em vez disso, o melhor  é focar em outra região nova, com mais 512 ou 1.024 e lotar a rede de novo. O ciclo permanente que deve ser seguido, que é o investimento ideal e o segredo do sucesso no FTTH é: Encher a rede e procurar uma nova região, encher a rede na nova região e procurar outra. E assim por diante. 

 

Situações hipotéticas, exemplos comuns e soluções

Suponhamos, por exemplo, uma situação em que haja uma família que possua uma casa de 3 quartos, uma área de lazer que tem 2 ou 3 TVs e alguns dispositivos. Ela vai precisar de internet de 100 Mb, de pontos de acesso de cabo de rede e de wi-fi espalhada pela casa.

Temos que pensar em planos específicos para este cliente, que vão solucionar diretamente o caso, as dores e os problemas que ele está enfrentando.

Suponhamos ainda que este mesmo cliente, como em qualquer casa tradicional, possua um quintal em que o sinal de wi-fi funcione mal e porcamente, pois ele tem um roteador de wi-fi instalado embaixo da gaveta no armário onde fica a TV.

Este potencial cliente possivelmente atravessa sérios problemas também por outros motivos: o sinal de wi-fi não pega no banheiro, quando baixa vídeos o whatsapp trava; a TV dele, em dias chuvosos, trava com a Netflix e quando chega visita ele não sabe a senha de cor, pois não é nada personalizada, etc.

Imaginemos que a filha dele consuma internet até tarde e, no entanto, ele gostaria que a filha fosse dormir mais cedo.

Tudo isso são problemas com a conexão de internet…Mas como resolvemos o problema desse usuário?

Esse usuário poderia ter esses problemas mesmo possuindo 100 Mb de banda disponível.

Tendo isso em mente, os passos primordiais para solucionar as dores desse usuário em especial são:

 

  • Falar com ele para realizar uma consultoria com o seu provedor

  • Dizer que seu provedor não instala internet na casa de qualquer um (isso fará o usuário se sentir especial e ver que seu provedor tem princípios)

  • Mandar um técnico instalar um roteador centralizado na casa, ou então mais de um roteador. De preferência o roteador com um aplicativo da estirpe de um Ubiquity, onde ele pode determinar o limite de horário que a filha dele pode acessar internet. pode também criar um hotspot para visitas, etc.

  • Ligar no cabo todas as TVs para não ficar só à mercê da wi-fi, já que, quando a internet está lenta, é o roteador wi-fi que não enrega banda suficiente para a TV
 

Uma coisa que não adianta é ter suporte diferenciado para o cliente se o cliente precisa usar o suporte toda hora. Passar duas horas no telefone usando o suporte.

 

O fundamental é entregar experiência ao usuário 

 

Quando paramos de vender apenas planos e vendemos experiência ao usuário, fugimos da guerra dos preços e angariamos clientes que não reclamam de preço, que podem pagar mais.

Do contrário, pode ser um plano bom de internet? 

Sim, pode ser…

Mas há uma preocupação bem recorrente e real: Pode chegar, por exemplo, do dia para a noite, um outro provedor concorrente na região que consiga ganhar seus clientes apenas baixando o preço, algumas vezes até “prostituindo o mercado”.

Isso é bem comum, pois os clientes tendem a mudar de provedor pela curiosidade. Entre 20 Mb e 100 Mb não se nota quase diferença alguma. Apenas o instiga. 2Mb para 100 Mb aí sim se nota.

Mas mesmo os provedores que ofertam um plano absurdamente barato, prostituindo o mercado, ainda que tenha gente que busque isso intencionalmente, estão com os dias contados. Pois, no mercado, a longo prazo, não há espaço para estes.

Um mindset essencial que é matador para você e seu provedor (ISP) é:

 

  • A culpa nunca é do cliente. É sempre dos provedores. Não há fundamento em culpar o cliente por reprovar sua rede, ou não querer plano x ou y, ou reclamar por preço. Isso é sempre um sintoma de falta de estratégia do seu ISP.

  • Saber fazer marketing de verdade. Ele vai ser a roupagem e o cartão de visitas pro cliente do seu provedor. Além disso te destaca em relação aos demais concorrentes e faz você se posicionar no mercado. 

  • Dizer o que sua empresa é. Os princípios e características específicas, objetivos e metas de conquista. Para selecionar o tipo ou o nicho de clientes que será alvo da empresa.

 

Em geral, os provedores que hoje são grandes no mercado são ruins nesses aspectos, mas um dia já foram bons, quando iniciaram… 

Depois, em decorrência do crescimento, expandiram tanto que não conseguiram manter as qualidades diferenciais em seus serviços. Um das chaves para o sucesso em relação a isso é apostar na busca da força local. 

Só de você levar em consideração tudo que foi dito acima sobre migração para FTTH, seja da internet via rádio ou da rede UTP (rede de fio de par trançado), já será um grande salto no claro!